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As doenças periodontais são infecto-contagiosas e não distinguem sexo, acometendo, principalmente, pessoas de 40 anos ou mais. Elas têm origem na placa bacteriana, ou biofilme (como são conhecidas atualmente), apresentando duas características: a primeira é uma inflamação que atinge somente a gengiva, conhecida como gengivite. A segunda é a periodontite, vulgarmente conhecida como piorréia, sendo que, nesta, toda a estrutura de suporte do dente é afetada, podendo levar à possível perda de um ou mais dentes.
De acordo com o cirurgião dentista Jackson de Castro Guimarães, a placa bacteriana tem um alto poder de adesão, se prendendo firmemente aos dentes na região próxima à gengiva, sofrendo influências de fatores como a idade, o uso de drogas e alcoolismo, o tabagismo, o diabetes, a Aids, a respiração bucal e outros.
Com o passar do tempo essa placa bacteriana se transforma no cálculo, vulgarmente chamado de tártaro, que é a placa calcificada, mineralizada, endurecida pela adesão do cálcio presente na saliva às bactérias. “Sua coloração é geralmente amarelada, mas nos fumantes (que têm até quatro vezes mais chances de desenvolver a doença) tornam-se marrons ou negros, provocando o característico ‘sorriso de fumante’. A progressão da gengivite para a periodontite depende do tipo de bactéria e dos fatores de resistência da defesa de cada indivíduo”, ressalta Jackson.
Pesquisas relacionam a periodontite com diversas doenças sistêmicas, incluindo as cerebrovasculares, como o derrame, as cardiovasculares, como endocardite bacteriana, acidente vascular cerebral, arterioesclerose, isquemia ou infarto agudo do miocárdio, a artrite, a pneumonia respiratória, a diabetes mellitus, partos prematuros, recém-nascidos abaixo do peso ideal e outras mais. “A hipótese mais aceita pelos pesquisadores é que, com o passar do tempo, as bactérias presentes nas doenças periodontais podem cair na corrente sangüínea e provocar uma inflamação nos vasos que irrigam o cérebro e o coração. A bacteremia bucal é decorrente de procedimentos odontológicos, da higienização bucal, como o uso de palitos, escovação, fio dental e da mastigação”, esclarece o especialista.
O estágio inicial da periodontite é a gengivite, cujos sinais iniciais podem ser percebidos depois de cinco dias do acúmulo e maturação da placa não removida, quando já se observa uma gengiva avermelhada, com textura alterada e de fácil sangramento ao toque e à escovação. Clinicamente é observada uma alteração na cor e na textura das gengivas, que ficam avermelhadas, inchadas, sangrando com facilidade e, na maioria dos casos, são assintomáticas, isto é, não há dor além do sangramento.
“Isso faz com que os pacientes só procurem ajuda num estágio mais avançado da doença. Se não tratada, a gengivite evolui para uma inflamação das estruturas de suporte dos dentes, mais conhecida como piorréia, quando ocorre a formação de bolsas, as quais seguem em sentido do ápice radicular, entre o osso alveolar e a raiz, afetando todo o tecido de sustentação do dente, provocando retração gengival, mau hálito, pus entre a gengiva e o osso, destruição óssea, mobilidade, migração dentária, até mesmo alteração no formato anatômico gengival, causando lesões irreversíveis com o conseqüente aumento no tamanho do dente”, explica Jackson.
Nos pacientes diabéticos com doença periodontal, ocorre uma dificuldade maior no controle da glicemia. “O controle da doença periodontal pode reduzir a necessidade de insulina e melhorar o controle glicêmico. Aceita-se atualmente que a doença periodontal aumente em duas vezes a probabilidade da ocorrência de um infarto, que 50% das endocardites bacterianas teriam sua origem nas infecções dentárias e que a probabilidade de partos pré-maturos e recém-nascidos abaixo do peso seja sete vezes maior. As periodontites crônicas generalizadas (piorréias) apresentaram características e prevalência semelhantes em ambos os sexos, tanto para a maxila quanto para a mandíbula. Entretanto, a idade mostrou-se associada com a severidade das lesões", ressalta.
Sintomas
Irritação, sangramento na gengiva, purulência (pus), inflamação e dentes frouxos, os quais, em situação agravada, acabam por cair. Causas
É causada, principalmente, pela ação da placa dental ou placa bacteriana, ou biofilme, como é conhecida atualmente. A causa mais freqüente é a falta de asseio bucal.
Como evitar
Consultas de manutenção periódica, por meio de assistência profissional, com tempo e freqüência a serem determinados, dependendo da capacidade do paciente em manter uma higiene oral adequada, quando será avaliado o padrão de higiene oral e, se necessário, feita raspagem e polimento dos dentes.
A doença não existe sem a formação da placa bacteriana e, com uma higienização bem feita, por meio de uma boa escovação e uso correto do fio dental (que é a forma mais efetiva de não permitir a formação da placa bacteriana), é possível evitar o aparecimento da doença.
Conseqüências
Um ou mais dentes poderão ficar abalados, podendo ser indicada a sua extração. As bolsas que se formam têm um ambiente propício para o acúmulo de detritos, cálculo e bactérias, que se desenvolvem num ambiente sem oxigênio, com grande poder de destruição.
Tratamento
O tratamento cirúrgico das lesões periodontais avançadas com bolsas profundas oferece vantagens óbvias sobre as intervenções não-cirúrgicas: a superfície radicular pode ser inspecionada e limpa através de visão direta.
Existe cura?
Provas científicas mostram que o trabalho periodontal pode ser bem-sucedido na grande maioria dos pacientes. Clínicos acreditam que, sem uma manutenção adequada, a terapia periodontal não terá êxito, independentemente da intervenção terapêutica. A observação e o tratamento prévio periodontal devem preceder qualquer tratamento restaurador.
Prevenção
Além de manter uma boa escovação e usar corretamente o fio dental, os pacientes devem informar ao dentista se forem portadores de febre reumática, próteses valvares cardíacas, prolapso de válvula mitral, endocardite bacteriana prévia. Nesses casos, eles necessitam de medicação antibiótica antes dos procedimentos, visto que durante o tratamento gengival as bactérias presentes na doença periodontal podem penetrar no organismo através da corrente sangüínea e se instalar nas válvulas do coração, colocando em risco a vida do paciente.
Augusto Pio |